正月, o primeiro dia do ano

No primeiro dia de 2010, já que dessa vez não teve bebedeira, acordei cedo e fui ver um teatrinho de como eram as celebrações de ano novo no Castelo Shuri, onde ficava o rei de Ryukyu na época em que o reino existia.

Na época as celebrações oficiais eram realizadas em chinês, o que mostra a submissão de Ryukyu perante o Império Chinês.
O castelo é bem interessante e acreditam ter sido construído no século XIV, mas muitas vezes reconstruído por conta de incêndios. Em 1945, durante a Batalha de Okinawa (quando os EUA invadiram o Japão na II Guerra), o Shurijo (como o chamam os okinawanos) foi bombardeado e quase completamente destruído. Aliás, a maior parte do patrimônio histórico de Ryukyu foi perdido na guerra. Tem uma história interessante sobre o sumiço da coroa real durante a invasão americana que eu postei no blog há um tempo atrás https://okinawabrasil.wordpress.com/2009/08/18/o-sumico-da-tama%e2%80%99n-chaabui-a-coroa-real-do-reino-de-ryukyu. A coroa da foto é réplica.
Enfim, Shurijo foi reconstruído em 1992 e, apesar de ser bem interessante, tem hoje aquela energia dos lugares turísticos demais.

À noite, fui jantar na casa dos pais do Nagamine San. E se o Nagamine San é um anjo da guarda, imaginem o que é o pai dele. Uma figura de energia espetacular, bom de Awamori, e cheio de histórias (em japonês) para contar. Fui, como sempre, muito bem recebido e me dei conta de como os filhos dizem muito do que são os pais.
Os pais do Nagamine San são dois bonsairistas dos melhores. Tinha um bonsai de pé de poncan incrível, com mini frutas e tudo. E no lindo jardim da casa tem também uma horta, que ao contrário da minha que está sempre cheia de mato, é muito bem cuidada.

Nesse dia, me lembrei de como era bom o 正月 no Brasil quando eu era pequeno. É costume okinawano que neste dia, as mulheres fiquem em casa e os homens visitem as casas de amigos e parentes. Mas a melhor parte é que é também costume okinawano (até hoje) as crianças receberem um dinheirinho dos parentes nessas visitas. Resultado, todo dia 1 de janeiro, minhas irmãs voltam P da vida porque ficavam o dia inteiro servindo chá e tofu frito na casa da minha vó e eu voltava com a carteira cheia. Pena que eu deixava tudo guardado debaixo do colchão e no dia em que finalmente (eu era muito mão de vaca) decidia comprar algo, descobria que aquele dinheirão todo já não valia mais nada por conta da inflação. Eita inflação danada…

Nesse dia, pensei também muito no meu avô pai da minha mãe. O Sr. Keiichi Uehara (também conhecido como Sr. CasoRaro) era também muito bom de awamori e também tinha muita história para contar. E aí fiquei meio triste porque, como ele faleceu quando eu ainda era muito jovem, nunca tive a chance de beber uma com ele. Mas assim é a vida né. Fazer o que…

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