Saindo do Armário pela Segunda Vez

Imaginem vocês que durante toda a vida eu fui o japonês, japa, japinha, jaspion, giraia, japoronga, china ou qualquer coisa do tipo. Ser uma minoria étnica não é exatamente algo que se deseja quando se é pré-adolescente. Descobrir-se secretamente o outro.
Não que isso seja algo que só aconteça com as minorias étnicas. Pra falar a verdade, numa pós-adolescência, e com alguns anos de terapia, acabei achando que somos todos minorias de uma pessoa.
É verdade que no Brasil ninguém duvida MUITO da minha brasileiridade. Mas é verdade também que isso me exigiu ter samba no pé e, de certo, modo renegar ao máximo a figura típica-ideal do japonês. O cara calado, concentrado, beirando o bobo, admirador e praticante das ciências exatas e de jogos eletrônicos.
O tempo e a vida trabalham de forma engraçada. Vir a Okinawa me tem ensinado como o imaginário pode ser pobre. Ser japonês é muito coisa ao mesmo tempo. Estou saindo do armário pela segunda vez.
Sair do armário muda tudo. É como mandar um foda-se para si próprio e para o mundo!
Mas, sem querer expor tanta psique, o fato é que, pela primeira vez, no auge dos meus 25 anos, experimentei a sensação de ser etnicamente um igual. Em Okinawa todo mundo é a minha cara ou eu sou a cara de todo mundo.
No mercado ninguém nem acredita que não sou daqui (será que sou?). Eu tenho a cara do Uchinanchu . Eu sou a cara de Okinawa. Eu sou um cara de Okinawa. E eu sou um cara do Brasil. Eu sou só eu.

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