Posts de Maio, 2009

histórias…

Maio 11, 2009

Em meio à tempestade do último sábado à noite, chegamos à casa da família de um okinawano muito especial para a rodar a primeira entrevista do nosso documentário. Chusey Takara, natural de Oroku, chegou ao Brasil com 19 anos logo após à Segunda Guerra Mundial.

Sentado no sofá de sua sala, e rodeado de sua acolhedora e simpática família, contou-nos, em português muito bem falado ainda que com o tradicional sotaque dos nossos ojiisans, a história de sua vida. Guerra, marcas, sofrimentos, superações, trabalho, família, voltas, buscas, vida. Chusey é um okinawano imigrante que sabe o valor de sua história e da história dos seus antepassados.

Há quase dez anos, nosso entrevistado realiza um minucioso trabalho de pesquisa para reconstituir a árvore genealógica do clã Ufuya, do qual ele representa a décima terceira geração desde o registro conhecido mais antigo datado do século XVII.

Explicando-nos orgulhoso a trajetória de um clã que, de geração em geração, se perpetuou em Okinawa até chegar ao Brasil e ao Havaí, Chusey Takara mostrou-nos o valor das raízes.

Esse trabalho de pesquisa foi registrado em um livro trílingue (em japonês, inglês e português) com o qual ele pretende presentar seus parentes no Japão, Brasil e EUA.

Poderíamos ter ficado ainda muitas horas ouvindo suas histórias, não fosse pela hora já avançada do sábado a noite.

Espero que o documentário seja uma boa oportunidade para que seus descendentes e quem quer que chegue a assistí-lo conheçam um pouco da sua história, que de alguma forma, é a história de um povo.

Victor Kanashiro

Caminhando…

Maio 7, 2009

No mês passado, ocorreram dois encontros importantes na trajetória do nosso projeto. No primeiro deles, nos reunimos com a cineasta e diretora da Cinemateca Olga Futemma, filha de okinawanos e diretora do primeiro filme sobre Okinawa produzido no Brasil. Trata-se do documentário “Hia Sá Saá – hai yah”, lançado em 1985 e que conta poeticamente a (re)construção da memória do imigrante e descendente de Okinawa no Brasil.  O filme de Olga é com certeza uma grande fonte de inspiração para o nosso projeto e retrata com delicadeza uma leitura da segunda geração em vias de integração, ainda que com suas particularidades, à sociedade brasileira.

Em nossa conversa, Olga demonstrou receptividade ao projeto, acreditando que dele pode surgir uma nova leitura, de uma terceira geração, sobre nossa cultura e nossa história. Por isso, e por sua imensa sensibilidade artística, esperamos tê-la sempre conosco na reflexão e produção do documentário.

O segundo encontro aconteceu na Casa de Cultura Japonesa da Universidade de São Paulo. O professor Koiichi Mori, docente do departamento de letras orientais da USP e um dos poucos estudiosos da cultura okinawana no Brasil, nos recebeu em meio aos seus muitos orientandos interessados pelos estudos japoneses. A palavra e o apoio de Mori ao projeto será fundamental, dada a escassa literatura sobre Okinawa no Brasil.

Além de inspiradores, esses encontros dão consistência ao projeto e nos mostra que um filme é sempre uma obra tocada a muitas mãos.